Justiça marca para setembro o depoimento de testemunhas sobre fraude na reforma do Mané Garrincha, no DF


Crimes de formação de quadrilha, organização criminosa, corrupção, fraude em licitação e lavagem de dinheiro teriam ocorrido durante governos Arruda e Agnelo. Estádio Mané Garrincha, em Brasília
TV Globo/Reprodução
A Justiça Federal marcou para os dias 9 e 10 de setembro as audiências que pretendem ouvir testemunhas e colaboradores envolvidos na investigação de supostas fraudes durante a reforma do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.
PF prende Agnelo e Arruda por fraudes nas obras do Mané Garrincha
A operação, batizada de Panatenaico, é baseada em delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez. A Polícia Federal (PF) diz que as obras podem ter sido superfaturadas em cerca de R$ 900 milhões, visto que estavam orçadas em R$ 600 milhões mas custaram R$ 1,575 bilhão (entenda abaixo).
A 12ª Vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região analisa os crimes de formação de quadrilha, organização criminosa, corrupção, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Esses crimes teriam sido praticados durante os governos de José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz.
À reportagem, a defesa de José Roberto Arruda afirmou que a acusação vai ser questionada no momento oportuno. Já o advogado Alexandre Queiroz, que representa o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (MDB), disse que pretende provar a inocência do cliente. A defesa de Agnelo Queiroz não atendeu à ligação da reportagem.
O estádio Mané Garrincha – o mais caro entre as obras para a Copa do Mundo de 2014 – foi reformado, segundo a denúncia, depois de um “acordo de mercado” entre a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Ao todo, 12 pessoas são rés nos processos.
Propina foi paga no canteiro de obras do Mané Garrincha, diz delator
Operação Panatenaico
Foto anexada ao relatório da PF mostra maços de dinheiro em painel de carro
Polícia Federal/Reprodução
A Panatenaico foi deflagrada em 23 de maio de 2017, quando Agnelo, Filippelli, Arruda e outras sete pessoas foram detidas por relação com as obras do Mané Garrincha. Em 1º de junho, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na sede da Novacap – empresa responsável pela execução das obras públicas no DF – e na casa de gestores do órgão.
Os documentos apreendidos se juntaram a arquivos fornecidos pelos próprios executivos da Andrade Gutierrez, no acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal (MPF). Nos papéis da empreiteira, havia planilhas referentes à obra e com data anterior ao lançamento da licitação – ou seja, quando as regras da concorrência ainda nem tinham sido anunciadas.
A PF também identificou irregularidades nas notas emitidas pela Andrade Gutierrez na “medição” das obras – instrumento usado para prestar contas de cada etapa, durante o contrato. Os documentos incluíam serviços de buffet para datas comemorativas, aluguel de camarotes e logística de shows.
Na delação, o ex-executivo Rodrigo Leite Vieira afirmou que alguns dos repasses de propina foram feitos no próprio canteiro de obras do Mané. A descrição das condutas ilegais, segundo a PF, condiz com as citações do estádio nas delações de ex-executivos da Odebrecht, divulgadas em abril de 2017.
Arte Corrupção Mané Garrincha – Vale este
Editoria de Arte/G1
A PF suspeita que a reforma do Mané Garrincha foi superfaturada em R$ 900 milhões
2 ex-governadores do DF e 1 ex-vice foram presos, suspeitos de receber propina do esquema
O ex-governador José Roberto Arruda é apontado como quem bolou a fraude à licitação
O ex-governador Agnelo Queiroz atuou “retirando obstáculos” às obras, segundo a Justiça
O ex-vice Tadeu Filippelli, é suspeito de receber propina para o PMDB
A Justiça bloqueou R$ 26 milhões dos três
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Fonte – G1 > Política